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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Ausência


Saístes, e nem bem chegara à Primavera.
E aquilo que era o mais colorido jardim
Enlanguesceu-se, enublou-se, que assim,
Carece de sua rosa para tornar o que era

Ficaremos aguardando, que outro jeito?
Se o imperativo a fez refém e lhe ordena,
Mas não se assuste que é coisa pequena,
Como tal, logo, logo, vai ser levada a eito.

Não demores muito, nesta sua ausência,
Volta, com seus gestos largos e amplos.
Traga-nos este sorriso e todos os encantos,
Que nos é tão grato, quanto sua docência.

A sua ausência também nos será uma lição
Dir-nos-á, da importância de sua presença.
Como o turibulo na ara que tudo  incensa,
 Com eflúvios  florais, envoltos em benção.


“Se voltar não faça espanto, cuide apenas de você 
De um jeito nessa casa, ela é nada sem você 
Regue as plantas na varanda, elas devem lhe dizer 
Que eu morri todos os anos, quando esperei você
 ...”
Roberto. Carlos (online)


Primavera de 2012

Eclipse
















Não deixe uma nuvem de tristeza
Toldar o sol, que em teu rosto brilha,
Veja que a lua, solitária andarilha,
Tem por vezes, oculta sua beleza,

Quando a Terra a esconde do fulgor
Não lhe tira mesmo assim a sina
De ser aquela que ao poeta ensina
Fazer canções, e  cantar o amor.

O sol por vezes pela lua, embotado,
Lança na Terra pequena sombra
Mas,   o dia permanece ensolarado.

A tristeza  que ora morna teu rosto
É apenas um eclipse, não assombra.
É Ave a cruzar o sol, em Agosto!


Araçoiaba, Primavera  de  2012.