Temos
Marília, Temos Dirceu,
Até
Dirceu em Marília Não temos mais Marília de Dirceu,
Temos
Thomas Temos Gonzaga Muito António, e tanto Gonzaga,
Nos
falta um, Aquele! A quem Marília, esqueceu, E no exílio, morreu,
Mas,
as Cartas Chilenas, Felizmente o consagra,
Tomaz
Antonio Gonzaga!
Temos
Gonçalves Temos os Dias, Faltam Gonçalves Dias,
Faltam
canções, faltam palmeiras. Sobram exílios, nos condomínios,
Falta
o cântico do sabiá, Vive ele agora num zoológico,
E
sua “Canção do Exílio” Não consegue gorjear.
Não
temos mais Carlos Gomes, aquele, das modinhas e do Guarani
“Quem
Sabe”?, “ Quem dera saber agora,” Onde estará Castro Alves
“Onde
andara seus pensamentos”? “Quem sabe” naufragou nos “Navios Negreiros.”
Que
singravam “Espumas flutuantes” Com corpos e almas aprisionadas
Pela
ganância desmedida e insensata, do mundo
“ civilizado”
Se
foram esses poetas; Mas ainda temos escravos.
Escravos
dos patrões, dos padrões e da tecnologia,
Escravos
dos bancos, das filas, de TV, e da telefonia,
Filas
nos bancos, correios e nas loterias.
Filas
na saúde, pra se sofrer mais um dia,
Escravos
da ganância, da ignorância.
Dos
governos, das Igrejas e religiões,
Que
vendem o paraíso e não entregam,
Dos
mascates mercadores de “Deus”,
Inesgotável
maná, invisível mercadoria,
Escravos
do cinismo e da hipocrisia
Da
pobreza, que cresce a cada dia,
Subproduto
é a miséria que já virou endemia,
Causada
pelos juros, que sem dó, nos expropria.
Escravos
da falta de governos que governem,
Em
favor da maioria, que ávida compra sonhos,
E
se alimenta todo dia, nas casas de loteria!
Ah!,
Se nos sobrace pão, como sobra covardia,
Não
existiria mais fome, e justiça existiria.
Quantos
poemas, quantas trovas,
Quantas
rimas, a serem feitas!
Quantos
poetas nos faltam...!
Aqueles
poetas!
Urano de Sousa
19/08/90
Nenhum comentário:
Postar um comentário