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sábado, 22 de dezembro de 2012

Fada da Luz


Fada da Luz

Professora,
                                        
                                     Você:

É uma fada de  luz, que Ilumina tantas vidas,
Simboliza a esperança,  é   o  farol que sinaliza,
Numa ilha solitária,  é  alento dos  navegantes,
É fonte que não se esgota, flui em gotas cristalinas,
A beleza do aprender. É um sereno e vasto  oceano
Onde a ignorância fenece,  é uma seara infinita,
E nesta bendita  colheita, o conhecimento viceja,
É um portal que se abre, para as estrelas tocar.
Ser professora  é ser trilha, é ser porto, é chegar,
É a mão que sempre guia, é terna forma de amar.
É ser  sempre lembrada, ser querida e ser amada,
É se tornar imortal, em cada um que educar.
Está presente no verbo, no artigo e predicado,
No pronome e substantivo, dá sentido ao sujeito,
Em cada poema de amor, em cada verso rimado,
Na sentença do  juiz, na defesa do advogado,
É uma marca  indelével, cinzelada com ternura,
É um ser “Michelangelo”, a cinzelar a escultura,
É lapidária  esmerada, na arte de rutilar,
Faz que a luz se liberte, rompendo o grilhão,
É uma joia incrustada, dentro de nosso peito,
É a sonhada alforria, libertando a criatura!
É um sol que traz aurora, e afasta a escuridão!

Pelo seu Dia!


Araçoiaba, Primavera de 2012.

Urano,

Ausência


Ausência.


Saístes, e nem bem chegara a primavera.
E aquilo que era o mais colorido jardim
Enlanguesceu-se, enublou-se, que assim,
Carece de sua rosa para tornar o que era

Ficaremos aguardando, que outro jeito?
Se o imperativo a fez refém e lhe ordena
Mas não se assuste que é coisa pequena
Como tal, logo, logo, vai ser levada a eito.

Não demores muito, nesta sua ausência,
Volta, com seus gestos largos e amplos.
Traga-nos este sorriso e todos os encantos,
Que nos é tão grato, quanto sua docência.

A sua ausência também nos será uma lição
Dir-nos-á, da importância de sua presença.
Como o turibulo na ara que tudo  incensa,
 Com eflúvios  florais, envoltos em benção.


“Se voltar não faça espanto, cuide apenas de você 
De um jeito nessa casa, ela é nada sem você 
Regue as plantas na varanda, elas devem lhe dizer 
Que eu morri todos os anos, quando esperei você
 ...”


Prof.ª  Sônia desculpe o jeito de lhe dizer o quanto é importante pra nós, falo,
-tenho certeza, em nome de todos  seus alunos, melhor dizendo, das alunas.
Um breve e feliz retorno, pois o eito lhe espera.

Boa Sorte
Urano, um feliz aluno seu.

Urso  Primavera, 2012

Eclipse


Eclipse.



Não deixe uma nuvem de tristeza
Toldar o sol, que em teu rosto brilha,
Veja que a lua, solitária andarilha,
Tem por vezes, oculta sua beleza,

Quando a Terra a esconde do fulgor
Não lhe tira mesmo assim a sina
De ser aquela que ao poeta ensina
Fazer canções, e  cantar o amor.

O sol por vezes pela lua, embotado,
Lança na Terra pequena sombra
Mas,   o dia permanece ensolarado.

A tristeza  que ora morna teu rosto
É apenas um eclipse, não assombra.
É Ave a cruzar o sol, em agosto.





,
Sônia, sua apreensão também nos deixa embotados,
 pois somos dependentes do teu sorriso, da sua alegria,
desta energia que de você emana, você é nosso sol e nossa lua,
sem seu calor e seu brilho, somos ocaso.

Volte a sorrir, sorrindo!





Urano, Primavera de 2012.

O Amuleto


O Amuleto


Com tristeza lhe vi assim andando
Em um rude utensílio apoiada
A dor sentia, e não era declarada,

Mas sua voz suave, ora modulando.

Dizia de forma clara, inusitada,
Que estava doutra forma, sofrendo,
A angústia, de estar dependendo,
De  tosco amuleto, amparada.

Mas estes versos também padecem
Infortúnios tantos que esmorecem,
O Aedo  que  o lê  descompassado,

Declina  de exaltar, sem melodia,              
Recitando aos brados, a poesia,
Com um Soneto de “Pé Quebrado”!




Lembrar se de sempre pisar devagarzinho e com cuidado, senão-!!!!!!
           
Araçoiaba, Primavera-2012

domingo, 29 de junho de 2008

Estórias de Sacis e outros Bichos

Estórias
O “Saci do Paranai” citado na musica Estórias, tem uma conotação político social que visa a nos embrenharmos pelas coisas que nos dizem respeito, que nos afeta a todos e que por ser já um fenômeno cultural tão enraizado, não mais nos damos conta de alguma anormalidade nisto tudo.

Vejamos: A figura do Saci tem uma denotada alusão ao nosso folclore, das estórias que ouvíamos e que permeavam as antigas infâncias e porque não, muitas pessoas já adultas o consideravam um ente real e travesso à fazer algumas malvadezas, por vezes oculto ou até saltitante em alguma encruzilhada, ou trançando crinas de cavalos durante a noite

A conotação dada aqui ao moleque Saci é a do anacronismo em que vive toda esta gente, e toda a nossa região, por que não dizer toda nosso povo brasileiro, gente esta que adora modernismos tecnológicos e lingüísticos, mas que se submete a um imobilismo político e social sujeita a pratica seculares de exploração, dominação, expropriação, enganação despudorada e sistemática e que nos dias hoje já sem nenhum cuidado com dissimulações.

O “Boitatá” é este jeito moderno de viver, o chamado progresso insensível e insaciável a devorar tudo de forma indiscriminada, que assusta e que atropela os incrédulos e os de bom senso, os que não acreditam que se tenha que alterar e destruir nossas riquezas naturais, nossos valores (nossas matas, fauna e os rios) seja fazendo represa, retirando as madeiras, plantando Pinus ou revolvendo morros em busca de pedras e metais preciosos, jogando seus dejetos e excrementos da riqueza acumulada, para perenizar com pobreza e ou doenças os leitos e margens dos rios, que passada a fase eufórica, o que sobra, são os estragos para uma geração já sem futuro, tentar resolver e se lamentar pelo deslumbramento, egoísmo e falta de compromisso com a sua própria espécie, de que foram vitimas seus antepassados.

Ao “Curupira,” invoco a figura desta gente pobre, do caboclo nosso as beiras dos rios ou embrenhados nas matas em seus ranchinhos rústicos. Sobrevivendo com um mínimo de recursos onde tudo é demorado e distante, toda sua riqueza, são as coisas dispostas pela natureza, meio de locomoção e ferramenta aqui representados no porco do mato, na corda de embira atada a irara, que é o pouco tudo que tem, presenteado pela natureza e é obrigatoriamente o suficiente para seguir sua vida, distante da atenção das autoridades e da consciência coletiva , relegado a sua própria sorte ( se é que isto é sorte ), simplesmente ignorado,

Sobre o “lobisomem”, temos a imagem da covardia que hoje nos acomete, quando seguro em seu reduto e protegido pela noite deixa aparecer sua face tenebrosa e dúbia, uivando sempre escondido nas sombras, sem nunca aparecer durante o dia, relegando este ato ao homem comum que não se expõe, não se arrisca por ter muita coisa a perder; ficando sua atuação relegada a esparsas bravatas que não são mais levadas a serio.

A “Mula sem Cabeça” já tem uma representação mais voltada para o lado político, embora também possa ser usado apenas como figura folclórica, Ela representa o nosso povo, que por comodismo, alienação e ignorância, deixa se levar por promessas fáceis e oportunistas, que os alimenta de tempo em tempo, com adulações e falsidades para poder substituir a falta de proposta e projeto, que vise o engrandecimento, crescimento e melhoria do ser humano que existe em cada curupira dentro dessa gente.

A “moça nua”, galopando a mula sem cabeça simboliza aqueles que estão montados nos cargos de dirigentes públicos, os políticos, e uma minoria intelectual com certo grau de consciência, mas casuisticamente omissa, que apenas coadjuva esta cena e que desvia a atenção de algo mais serio, feio e tenebroso, desfilando desvairada e irresponsavelmente deslumbrada com sua condição privilegiada, mas amorfa e distante da realidade, sem nenhuma preocupação ou conhecimento da importância histórica em que foram alçadas, exatamente para fazerem diferença e não fizeram, apenas se fazem comuns, desperdiçando oportunidades históricas. Cuidam apenas de si mesmo.

A chamada de atenção para as coisas simples, naturais e belas que se encontra por aqui no Vale do Ribeira, mais exatamente nesta pequena e bucólica cidade, dizendo ao visitante para aproveitar estas belezas naturais, diz também para estar preparado para não se chocar com o atraso cultural e econômico, este modo de viver na inópia, pois aqui tudo isto é natural, Já que é aqui onde mora o Saci. Tornando, infelizmente qualquer aberração muito natural, nesta terra de “Sacis”.
Urano Sousa 90208